terça-feira, 26 de julho de 2011

Lágrima de Vento

Se via durante a noite
O poente eram os meus olhos
Minha face se despia
Tua boca balbuciava melancolia
Os uivos, se ouviam, trazidos pelos ventos da agonia
Eram termais, assombrosos e em luto planavam
Sobre as cabeças de angelicais e amorosos
Rastejando sobre o tapete de rélva
As marcas eram únicas, eram vivas
No rosto da mulher divina, elas afloravam
Conforme a madrugada à abraçava
O tempo se fazia inóspito, era tarde
Era longe, era hoje, eram lágrimas
Que não mais caiam sob olhos e sim sobre passos
Que rachavam as sombras que se faziam
Fria, em uma noite tórrida de sentimento
E assim chegando o amanhacer, minha alma
Cada vez mais anoitecia, em uma ilusão amada
A infelicidade me tomava, não sentia mais nenhuma dor
O apego era feito a qualquer poeira de amor
Minha voz era simples, era só paixão
Porém, no final das minhas sombras
Qualquer poeira se tornava coração

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Traição

Porque ontem me desejaste, quisera te ser minha
E finge te amanhã ser a outra, ser àquela
Que me enganaste e fazê-la sozinha
Foste não só mais minha como na eterna quimera

Através das paredes rubras de seu rosto
Se via um escurecer profundo... A mentira!
Através de suas mãos, os males eram seu encosto
Suas rugas afloravam vis a sua ira

E num entardecer profundo
O ventre aflorado de luxúria
Banhado em seu pranto imundo
De lágrimas e murmúrias

És aquela que me feriu, aquela amada
Que até o choro se faz triste ao cair
És aquela que de mão atada
Fez a morte do amor se esvair

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Amigos

Quando nascido, bem longe de mim
Porém sempre comigo, na memória
Todos aqueles que por noite choram nossa lágrima
Que suam o mesmo suor e bebe da mesma água
Foge dos mesmos medos e clareia as mesmas sombras
Se alegra com a sua felicidade e chora a mesma mágoa
Finge de só, para ter seu apreço ao seu lado
Solta pipa e corre atrás da infinita bola, em todos céus
Voa sobre o vento ímpar, que arranca todos os sorrisos
A ciranda continua a girar para sempre
E amizade continua a voar para sempre
E olhos contiuam a se ver para sempre
E as mão espalmadas continuam a cumprimentar para sempre
E o para sempre se torna o hoje, o ontem, o amanhã para sempre
E que os amigos continuem irmãos para sempre
Que possa ver ate os últimos dias, a face amiga chorando e rindo sobre meus ombros
Abraçando os abraços, contente e feliz
Porque desatar um laço amigo é matar almas fundidas e vividas
Porque amigo não fazemos e sim reconhecemos...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Súplica

Às vezes me pego pensando no futuro
E misturando o passado nisso tudo
Tão difícil perceber as coisas se mexendo, evoluindo
Precisamos do presente um pouco estático, um pouco nosso
Entender como pessoas se vão e ao mesmo tempo ficam e levam nossa alma consigo
E lembrar de ocasiões oportunas para nós, é triste
Viver momentos retrógrados é torturante
Sentir que estamos sozinhos, por nossa escolha forçada e por mais que estejamos felizes assim
Nossa alma suplíca um coração novo, uma pele contínua a nossa
Nossa calmaria se vê livre de passados e futuros sem nexo, numa brisa sublime e terna
É feliz poder andar sobre nossas cabeças e pensar que nenhuma vive mais nada, a não ser em ti
Nossa vida é banhada por entrelinhas, que por fim se tornam rios caudalosos se não soubermos remar sobre ele
Nos inundam de sentimentos nus, sem aura, sem volta
Que por mais, que somos poetas e vemos a tudo isso... No fim sofremos igual um analfabeto errante de sentimento
É tão obscuro, que olhamos para si e vemos entre sombras se era isso que achamos que seríamos quando crescer
Um triste verso, porém nos acomoda às vezes

"Cada amor, cada paixão
Uma só volta, um só sofrimento
Se lhe deste meu coração
Porque não me fizeste em sentimento"!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Mais que Liberdade

Rasante pelo berço d'agua
Se faz a sombra de um pássaro livre
Nela se via rubra a mágoa
Mais magoada que tive

Da cachoeira que sinuosa descia por seus lábios
Tão marcados e rachados nessa crebra
Tão singela e lida para os sábios
Numa simples lágrima que assim quebra

No horizonte se via para onde e até iria
Aves tão monótonas como agonia
Sorrindo sobre às trovas, perseguia
No pra sempre, o presente voaria

E nas asas da razão é simples acordá-las
Pois asas são dadas a todos
Mas só os poucos
Sabem suportá-las

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Através da Pele

Sempre que passava pela porta, a via aberta
Olhava entre as frestras e um vulto se via
Com um olhar abrandado pela descoberta
Um triste ancião me sorriria

Era leve e a insensatez o cobria
Num sono profundo sua alma dizia
Que por mais que acordasse, tornaria
A morrer para sempre em uma melancolia

Distante da noite o mal se fazia
Perspicaz era assombrado e rude
Porém, deitava sobre as mãos e dormiria
Numa quimera eterna e amiúde

A vida essa atriz
Faceira e casta como a lua
Se torna as vezes tão infeliz
Por mais que esteja nua, permanece infinitamente crua