terça-feira, 29 de novembro de 2011

O Eco

Caminhava sobre o peito
Entre as pontes, o deserto
E fosses tu, o defeito
Era eu, entreaberto
E gritava por seus apêlos:

"Amor, mor, or, or...
Salve-me, alve-me, ve-me, me..."

E você, boqueaberto:

"Amo-te, amo-te, mo-te, te...
Corra, orra, rra, ra..."

Nada mais que presente, o céu, à fortaleza!

E seus ouvidos diziam:

"Tragam-me, agam- me, agam- me, sua dor, dor, or, or...
Sem qualquer prazer, zer, zer, er,er...
Pois uma pétala de flor, or, or...
Era o caule do sofrer, frer, rer, er...."

Pois não tinha mais angústia
Minha lágrima, já não falava mais paixão
Minha luz, era uma fortúita solidão

E assim meus olhos e os seus, declamavam, nos ecos do coração:

"Porque, não me ouviste, iste, ste, te...
Dos meus olhos brotam suas mãos, ãos, os, os...
Não vá mais sem ir-te, ir-te, te, te...
Que meus olhos ficarão em vãos, ãos, os, os..."

Lá no fundo de sua alma, está meu eco
Que corre por suas veias, eu sinto
E sai por sua boca, um grito
Balbuciando, eu minto!



A Lenda dos Olhos Eternos

És perpétuo assim, meu amor
És tão frio e cálido ao um par de tempo
És a noite e o dia de mãos dadas
És toda minha alma arrepiada
Sua nobre lágrima, acalantada
Prazer? Não mais prazer, e sim locura
Transloucada! Não quis o teu prazer
São luas tímidas e atrevidas pelas nuvens
Ouçam! Ouças, as estrelas?
Meu amor, és sereia, num mar noturno
Sofrido e banhado por espasmos de marés
Não voltas a praia não, pois sua praia és o desague do meu amor
Que um dia foste um rio caudaloso de males e alegrias
E pedras, porque todo caminho ão de haver pedras
Suas doces docas, me entregam a um mar, ao cardume de felicidade
Colorido que ele só! Alegre como ele não há!
E por dentro, não mais amor
O seu ausente, um ateu
Que fosse um dia eterno
Eterno como o meu
Existe no meu peito
O teu amor, espero
E não só no teu peito, o meu amor sincero

Outras Palavras

Em parte de minha sombra
Estão meus porões em febre
Porões de alegria e tristeza
E meu sangue bêbado, quem bebe?
Nasce da alma, sua beleza?
Entre os vãos dos dedos
Escapam suas vontades
Não contentaste com sua verdade
Deturpando a amizade
Foste você a devaneia
E não mais sua maldade
Escorrendo nos olhos, olhos de verdade
Da ternura como um doce
Arrancada da boca, a foice
A chuva ainda era o "lava alma"
A brisa ainda o seu ganha pão
O fogo, arde por dentro de sua mão
E a mentira escorre em seu sangue
Regando todo o chão

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Soneto do Oceano

Vagante, assim, que eterno seja
O infinito, aos pés da lua
E aos meus olhos que almeja
Sua pele em brasa e nua

Em ondas, e brisas de almas
Foste sua sombra o meu encosto
Sua terna noite, minhas palmas
Ao seu leve e brumo rosto

Era perpétuo ao espaço
Suas estrelas em orgasmo
Das espumas, e brumas férteis do amanhã

Sob meus passos na areia, lhe déra uma rosa
E nos meus braços que se alteia
Dorme nua, o sorriso da aurora

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A Bailarina

Das pontas dos pés
Dos olhos, em riste
Foste a sombra da arte
A ciranda dos braços abertos
Em todos os compassos descobertos
Os espacates entre abertos
Sob mãos bem-aventuradas, esperançosas em alegria
Foste o ontem, a virtude do amanhã
Entre as rosas e as ternuras da alma
Uma valsa e contra-tempos de luas
Corpos abertos e vôos de nuas
Em ruas esbeltas, infinitas e puras
Rodiando as fontes libertas de prazer
Musicando todos os dedos, iludindo suas brisas
Arrepiando todos os pêlos, todos os palcos
E assim seus palcos, erétas, em palmas estaladas
Os passos em doçuras
Em uma paz sem nome
Inalando um aroma mais livre que o coração

Lágrima

A qualquer sentimento
Seja seu, o meu, o nosso
Que seja o teu sofrimento
Ao coração, vosso
Aos meus olhos
Expressem com emoção
Toda paz e alma
Que caiste neste chão
Em seu pranto tão amigo
Esvair nesses olhos em vão
Entornai ao meu peito, sua alma comigo

A Fêmea e o Macho

Que fostes tu, o dia
Até que chegaste à tarde
Bebia à noite, apalpava estrelas
Que fostes tu, à vida
De triste, apenas seus ouvidos
Mascarados em purezas rebeldes
Que fostes tu, só minha
E de minha costela lhe daria um suspiro
Minhas hortas, tão férteis, bebeste
Da água tão rica, comeste
Todo o pudor que pudeste querer
De tua sombra, lágrimas de orvalhos
Secavam em retalhos, sob a mesa posta
És o pão de cada dia, trabalhaste em lua fria
Foste o perdão da eterna agonia
O perdão sem esperança que até o tempo cansa de perdoar
Sua carne, já putrefata, me entorpece
Seus olhos, mesmo amados, me enlouquecem
Sua irmã, tão mais velha, me adormece
Sobre seus travesseiros tão fartos
E seus seios... Na noite, nos quartos
Suspirava até exalar o seu suspiro
Sentia tua respiração tão ofegante
Tua boca, a cada hora mais amante
E em seus olhos, tão loucos, os meus olhos alegres e errantes