terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O Cordel Triste

Lá na asa do sabiá, avoa a alma, lampião
Suava moça, cheirava a poça, ouve triste meu sertão
E amargura que salivava, era o passado do ansião
Ninando a sombra, que teimava em dizer não
Sol que dilata, lua platinada, me desculpa solidão
Sonhador, menino que amava, a moça triste de cordão
Ela girava no horizonte e suas lágrimas nuas, semeavam pelo chão
Toda rosa, flor de lótus, desabrochando coração
Eram simples, pés descalços, que choravam violão
Tão distante, lua cheia, era o amor da devaneia
No adeus que acalanteia, foge rio sem paixão
Passa o tempo.. Roda vida, giramundo, giravida
Ranhuram desertas, suas dermes entreabertas
Acodia o novo grito que suspirava o arrepio
Vindo pelo vento, zombando folhas secas e roubando trovas negras
Seus dedos enxugavam poesia, dentro da melâncolia
Debruçava sinestesia, alagando o coração
Tua alma alegoria, de uma volta pela mão
Sua boca devagar, ouve silêncios sem parar
E o amor minguou como a noite sem luar
Abrindo os braços, ecoando
Olhar seco, cansado de chorar.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A Francesa e a Flor

Era ela, uma tal mulher, de avental de giz
Em sua sombra, delizava sua alma
Seu aroma vagante, pólen no nariz
Espalha, sua paisagem generosa

E lhe carregue, lua tortuosa
Vagante, derredeira, rosa assombrosa
Voou, Iracema cor-de-rosa
Me encantou, sem medo
Sua pele fina e amorosa

Distante, devagar aos olhos
O horizonte deu adeus
Sua pálpebra estremeceu
Meu riacho escureceu
Era livre, aos pássaros
Era breve, seu andar de passos
Rubra, se fez a face, rosa branca
Branca, me renasce, flor vermelha
Aos caminhos de um rio, banhou-se escuridão
Seus pés encharcados de luxúria, avoaram
Me abraçaram, altos, aos pés da imensidão
E teu rosto n'água, espelhou
Sua alma, dentro do meu coração

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Sem Volta

Me amas, todo, entorno e por dentro
Volte, não mais, vá ,sem ir-te, seu coração és meu
Adeus... Não digo, meu até logo, era seu
Um dia meu, iremos ser

Calada, a madrugada me abraça
E os tristes, eram tristes por sua volta
E a trova, trovoava corações, minha vida...
Não volta, sem teus olhos

Dizia, sem saliva, mais...
Louvava, sem suas preces, tais
Sorria, sem sorrisos, vais..
Embora, dos prantos, jamais...

Em sua sombra, minha pele renasce
A minha/tua, nossas almas, ínfimo disfarce
E fique, pois a tua chama ventou os meus olhos
E mentiu... Porque se não voltas, não digas, que queres voltar...

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Faces

Existe... Porém, não mais, persiste
Longe, desde homem, até hoje. Fosse Silva e talvez Maria
De todas, a mulher, Maria! Caminha...
Boba, mágica, o "haver" do querer, e talvez ficar
Passageiro... Não mais companheiro, ombros inimigos
Deitar, num verso amigo, sentar ao berço esplêndido
Não mais.. Ah não mais!
Perversa, caricatura de alguém
Anda, conversa! Me diga, noite. Soturne meu luar
Me espete, estrelas d'agua, meus pés foram sujos por seu ventre
Orvalho que descansa, não é o mesmo que alvorece
Palmas que afagam, voam longe das que fingem prece
Morte das almas, não nascem das mesmas que anoitecem
Engula, os que te comem, pois são eles que adormecem
Seu "EU", que um dia era "Ele", que somos todos "Nós", e "Vós", quem sois?
Me perpetue, estapeie a verdade que me entrega
Iluda os devaneios, e me renega
Sãs? Ah Deus não quero mais
Putas soberanas, ruínas mundanas, crentes ciganas...
Me trazem ventos, voltas, luas...
E todos nós, a dois
Faces, me deitem sobre às tuas
E vós, quem sois?

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A Mulher e o Diabo

No meio do cristal das vidas
Em uma total inércia de loucuras
Esteve aqui, um dia
Por onde se foi? Foste com manto em lágrimas
No velho tempo, desacato inútil, brando desapego
O céu desmaiaria, a lua, em melancolia, a mulher em toda agonia
O Deus e o Diabo, eram sua encosta
Criada sem o mal e o bem, apenas a quem de quem viera
Sentindo a fome, da linha eterna
Abraçada por sua asa, enlaçada por sua calda
Assim, calada, se fazia, a morte
Total! À parte de qualquer alma
Querendo apenas sentimento, seja qual for
Seja o teu benigno ou maligno
Digno ou solícito, do fogo ou do ventre
Oh aurora presente, desague em costas, minhas costas
Carregue o espaço, passo a passo, leve perdido em saturnos
Oh trevas alheias, presente em suas veias
Beirando a perfeição
Ninando o próprio sonho
Sonâmbulo no firmamento
E quando for à chama, volte sem arder
Porque uma vez indo ao lado do inferno
Morrerá sem carne, apenas com seu feto
Em suas mãos, tristes de prazer
E banhada no sangue, de quem lhe fez morrer

Ao Pé do Vento

Beiro-me, à beira-do-mar
Debruço em vans, pensamentos
E sobre nós? Quem estás?
O vento da carta marcada
A lua de alma dourada
O pé da virgem, desalmada
Nada mais terno, na volta
Na volta do vento, sem qualquer pensamento
Apenas amado, amando... "Sem porque, perdão?" De quem o ama
Nos passos daquele que te ama, estão suas vozes
Na breve ternura da velha cama
De viver, incapaz dos outros
Perdurando aquela chama
E saber que a paz, não é ao lado de qualquer um
E sim, ao lado de quem te ama

domingo, 11 de dezembro de 2011

A Emoção do Mar

Me cais... Força, Neptuno!
Levanta-te por sua onda
Éis não mais, a força
E vem de dentro, o mar
Mar escondido em sua moça
Que não queres estar
Estar aqui, dentro
Dos mares, amar é para quem sabe
Banhar as docas, em um cardume de amor
Livrai-me olhos d'água, fechados de prazer
Me ergue! A linha do horizonte se desfaz...
Em aurora, outrora as ondas me desfaz
Em braçadas verticais
Era livre, o choro dos animais
E dentro da boca do mar, a emoção balbuciava às rosas
Que chegavam a praia, nos pés da amada dos florais
Em horas, as estrelas me guiavam
Minhas mazelas despetalavam
E meu choro, em gotas, unia-se ao mar
Podendo dizer assim, aos meus olhos
Enfim, podem se amar!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Ser Homem

Ser, estar, sendo... Homem
É paratodos, o Homem, a figura do Deus, Apolo ou Orfeu?
Quem sabe Deus?
Nascer e viver Homem, é a cruz e a espada da humanidade
Poder lutar e ser justo, estender as mesmas mãos que estapeia, não é fácil
E ter que assoprar o próprio vento, e ser a própria rosa dos ventos, a elegia de si mesmo
Nós somos Homens, eternos e constantes, fracos e permanentes
Somos frágil, um cristal de sentimentos
E saber que chorar não é pecado, abraçar, é viver a cada dia, também é ser feliz
Ser frágil, é a fortaleza dos lobos na pele de cordeiros
A cada bíceps moldurado, escorre uma lágrima entre braços e pernas
Somos a união das forças, essas, Mulheres, nossas forças
Nadamos num mar de ecos, voltamos a viver numa corrente de mentiras
E poder saber o que é saber ser homem.. É a felicidade plena
Saber olhar as rosas, amar a lua, voar sobre a lua.. Sem saber voar
Temos no nosso olhar, que ser homem, é mais do que o pão de cada dia
Saber ser homem, é fazer o pão de cada dia, e o café todo, sem resquícios do jantar
É o carinho e a ternura almada, o olhar paterno à sua prole, amar a Mulher de todo dia... Sua mulher
E sim, poder ser homem, é correr pra dentro e gritar: Sou de verdade, mas meu coração é dos outros!
Somos homens, somos carne... osso! Somos sol, todo dia! Vivemos o amanhã, conforme os passos do horizonte.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Poética

Sou o novo, o velho que me conteste
De novo, sou o zero, o infinito que me impeça
Entre o vento, o espaço que me deserte
Sou feito o pó, venho de longe e moro em qualquer lugar!