segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Constatação

Pensando na música que escuto e que faço, e no país que vivo...
Às vezes me renasço e cativo, outros olhos, que não vejo mais.
A música, a arte, a poesia, literatura, escritores... Tudo, enriquecedor da mente e espírito, se tornou vão,
um eco esquecido. Contemplamos a televisão, meio de informação, genial, revolução do século XX, porém, nos dias hoje,
se tornou o mais banal e hipócrita, meio de comunicação social. Um meio, em formato de "panela" para quem tem dinheiro
e influência e não para quem tem a arte nos olhos, nos dedos, na alma.
Vejo o PRODUTO que se tornou a nossa música, "NOSSA", que não é mais nossa, nem de ninguém. Navega insana, nos programas
de audiência ignorante e influenciável de nossa querida, tv.
Aquela música de Tom, Chico, Vinícius, Pixinguinha, Adoniran... Entre outros, pilares da arte brasileira, se extingue cada vez
mais da nossa frente, dos nossos ouvidos do dia-dia, de nossa essência. E o que existe, são os novos "pilares", que nossa
ignorância e bestilidade criou, e fingiu que gostou, e nos assola num futuro, que eu sinceramente não vejo fim. A música
escutada na rua, rádio (existem excessões), lojas, restaurantes... Enfim, em quase qualquer lugar público, está abaixo do nível
da burrice, é a extinção da inteligência e manipulação auricular feita de fora para dentro. Mas, graças a Deus, existem os consciêntes
de que o cérebro é uma parte importantíssima do corpo, e ainda o abastecem de sentimentos e sons, excelentes.
A música boa está aí, no seu computador, na sua casa, na sua vida, não espere que chegue até você, porque com certeza,
ela irá esbarrar em algum vizinho seu, portanto, a procure, vá a caça, dos que contribuiram pra esse país, antes que os "caçadores"
de hoje, vendam seus olhos e vedem seus ouvidos.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Soneto à Liberdade

E quem pode amar mais do que eu pude
E desafiar as rosas, e lhe tirá-las espinhos
E quem caminha às nuvens, ao um vento tão rude
Rasgar-lhe abraços e se tornar carinhos

Quem pode ficar à deriva, em um mar sem órbita
Respirando solidão, sobre um rio corrente
Onde estão as águas? Me diz, viúva semente
Onde estão as luas? Estrelas cadentes

E por que estás contentes, mulher vadia
Nadando tão nua, na lua vazia
Sem pêlos, sem dorso, Maria...

E os pássaros, me diziam, quimera
Porque esta mulher que deságua n'alma
Não é o presente, e sim, a mulher que tivera.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Copo D'água

E eu que olho o céu
Nasço em estrelas
E da lua, sou o réu
Do eterno, sou as esferas....

E se é abismo, se jogue
Se é loucura, transpareça
Se é divino, resplandeça
Se é das nuvens, anoiteça
Se for a luz, assombre
Se for a sombra, alvoresça
E aos meus olhos, apareça
Sem receio, me desperta
O suor, até aos cabelos
Se for a pedra, caminhe
Se for distante, aconteça
Se for presente, perdure
Se for o mal, adoçe
Se for o mel, ensope
A alma, a vida, a voz...
Se for a máscara, seja Imas
E as Imas, sejam almas
Juntas, que brigam, e se amam, se engolem
Se for pesado, que seja filme
Se for a música, que seja a dança
E se for a dança, seja os passos
E se forem passos, seja o caminho para o instante
E se for instante, seja só
Sozinho, é constante, se for a dois, é sexo
E a três, sem nexo, e à quatro, se for família
E a família, seja próxima do pra sempre
E o pra sempre, nasça hoje, em segundos
Que os segundos fossem horas, e os minutos o ausente
Entre os minutos, o vácuo da lua, o breu do universo
Que paralelo se atinge, no sofrimento de amar
O humano que beija a planta, beija-flor
E se for planta, seja lágrima de orvalho
No orvalho o amor, instante
E se for amor seja humano
E se for humano seja amor.

Era...

Eis que somos, o que éramos
E estamos, aonde estavam
Eram sombras, por trás dos corpos
E as estrelas, por trás da nuvens
Que brilham, nitentes, flutuando solidão
E aquelas, que eram do mar, aquelas que eram para amar
Ainda ouço, o soluço dos pensamentos
A timidez dos sentimentos, a lágrima que jorra no escuro
E escorrega para a porta, naufragando grinalda
Afrouxando à aliança, nos solos marcados
Nos rostos passados
E os que brilham eternidade, nos seus olhos o pra sempre
E suas mão o porvir, sem ir, tornando-se hoje
E nas nuas, divínas, no céu claustro
No seu peito, em sua boca
Fazendo rodas, e a ternura exalando
A lúxura ilumando, na nuca árdoa, derradeira deste chão
Porque ele é homem, lhe segura pelos pés
Porém és foice, te corta pela alma.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O Cenário

A lua se deita sobre o infinito
Sua alma, é o momento do horizonte
E as estrelas, vagantes e delicadas, acalantam poesias
Em vozes tão sombrias, expirando coração
E nós, aqui, entre o mar de ecos, pasmos
Em espamos, como o orvalho no deserto
A deriva, sob sua admirável solidão.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

...E no céu

Das lágrimas... Virei poça
Me tornei chão.
E na lua, me escondo, em estrelinhas
Para enfeitar suas meninas
Inalando meus sonhos, respirando suas nuvens e me tornando coração.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Encontro

A mulher que orvalha nos olhos
Brota na mente
Germina na alma
E floresce no coração.

Constatação nº2

Mulher não tem nexo, não tem bula... Mulher é aquela, única, exata, no momento dela.
Pode ser a brisa da manhã ou vendaval do amanhã.
E temos e devemos entendê-las, pois somos homens e também sentimos na pele,
o vento soprando forte ou devagar sem nem sentir.

Poema Encantado

Das rosas... Rubras
Das luas, turvas
Dos mares, céus
Dos olhos, meus
De lábios, méis
Em faces, suas
Nuas... Noite sã
Em versos, clã
Os dedos suam
As mãos se deitam
Nos chãos de beijos
Meus, risos, voltas
Para ontem, o dia
Não volta, o dia
Sem volta, nas pontas
Da rua, o polén
Em trovas, deságua
Na boca, das orlas
E úmido, meu rosto
Se toca, ao rosto
Do perfume, que é orvalho
Em ciúme, que é enfim
Não sinto, não é meu, foste...
Sorrindo, aos olhos, seus
A saudade, que bate, nos ecos
Espero... Tão meus

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Cais

Brevemente, sem lágrimas
Chorando enjaulado pelas asas
Do passado, instante aparente
Uma conversa sem degraus
Atrás da moita, me puxando os tapetes
Vai, volta, me arrasta, me envolta
Em infelizes... Abstrai o coração
Derrama alma pelo chão
Derrama o ventre, sem perdão
Sua retina, o meu palco capataz
Açoitando meu apelos
Me devendo toda paz
E roçando em meus pêlos
Quem diria, que seu cais
Jamais, exposto, abraçaria um novo amor
Chegando em mares revoltos, de cabelos e encostos
No bailar de ondas, aos meus pés
Admirando o "nunca mais"
Imóveis, e sem face... Deguste o que é veneno
Engula o que o faz pequeno
Me mostre seu suspiro nômade
Sua pele inerente, sua voz inconseqüente
A flor de seus anseios, a romaria de seus passos
E seus leves abraços, ensuando aos meus
E dizendo: Se eu volto, não serei o adeus
Que ficou nos olhos e nas mãos de quem restou.