quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Sentido Oposto

Contentei-me com apuros
fui de versos a versos, feito as pontes
estava no sul; ao sul das horas
poeira foi o que deixei
Ninguém as recolheu, tive choro
fui sorrisos, fui tempos,
a matéria mais concreta do amor
Sabia escrever palavra por palavra, o que deixava
Mesmo sem senti-las, desmaie-as,
as pus dormindo ao meu lado, como canto
Tive todas as vozes da terra
Rosas me espalhavam, era feito ar
respirava por meio dos silêncios
O que me bastava era ser
Ter é acaso, é cúmplice
ser senil não basta
Caminhei até o jardim, e deixei-me andar
Todos que vieram atrás recolheram meus passos, acharam que eram palavras
Porém meu sentimento neles deixei
como perfume de estrada

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O Mirante

De uma poça de ar caiam os abismos
Era tão infinito quanto as flores
Habitavam a terra com auroras
Habitavam a vida de amores
Em seus olhos não havia espaço,
o oco era como o tempo, a sombra do espaço
inalcançável
Sempre que se ouvia falar, mesmo sem lembranças
a água se mexia, sentia o sentimento tanger
As voltas eram o que havia, o que tinha certeza de ser
Sem volta a certeza não completa
Torna vão o que antes era viver
Três crianças debruçaram no mirante infinito
Lá gritaram para o vento, e sem saber sentiram as vozes retornarem
em seus rostos palpáveis de estrelas,
sorriram
Fez-se ali água pousar
Mesmo sem verdade, o tempo aceitou sem dizer sim.

Remanso

Fui-me cada vez mais longe
Tanto de mim, quanto da vida
Tinha todas as mãos da terra, 
as sementes palmilhadas do avesso
As fontes da certeza; incerteza
Cada pedra em meu caminho, era uma pedra sem caminho
Cada destino que se curvava, não tinha medo,
era ontem, e como ontem... Não tinha história
Fiz do fim do mar, o inicio da chegada,
o que aprendi comigo, é ter em cada horizonte uma nova morada
Pois não se sabe onde a vida termina, e nem se começa outra vez
Toda pele que me cobre, mesmo fria
faz parte da matéria do céu
E se voa, é porque do labirinto escapou
Não prende mais sonhos, já descobriu em que infinito está.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Remanso

Fui-me cada vez mais longe
Tanto de mim, quanto da vida
Tinha todas as mãos da terra, 
as sementes palmilhadas do avesso
As fontes da certeza; incerteza
Cada pedra em meu caminho, era uma pedra sem caminho
Cada destino que se curvava, não tinha medo,
era ontem, e como ontem... Não tinha história
Fiz do fim do mar, o inicio da chegada,
o que aprendi comigo, é ter em cada horizonte uma nova morada
Pois não se sabe onde a vida termina, e nem se começa outra vez
Toda pele que me cobre, mesmo fria
faz parte da matéria do céu
E se voa, é porque do labirinto escapou
Não prende mais sonhos, já descobriu em que infinito está.