segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Tempo que não Existe

Pouco tempo estive dentro de mim
Um tempo tão necessário, quanto 
a chuva; aquela passageira, que te carrega
Mas ainda estou dentro?
De qual corpo?
Não se sabe
Existem tempos na vida, que o nosso corpo
se torna o mesmo de quem se ama

Correnteza

Esqueço-me entre uma palavra e outra, que sou apenas água e sombra
Corrente de mar sem volta
Trago os sonhos que não recebi, e levo os que não existem, para existir.

Arrepender-se

Achei guardado na gaveta das horas
umas ternuras
Feitas de pó, e lembranças
Saltaram como se dançassem
de sapato velho
Pisaram descalças em meu coração
Minha metade, aquela que ama
Se disfarçou de abismo, para não
aguentar o peso das lembranças
Mais fácil era conter aquilo que um dia já falou, e hoje nem respira mais
Mas tenho em mim agora
algo que não cansa
tão sozinho, como nuvem negra
A desabar
Como esperança de bonança
Tenho a chave de uma gaveta
imunda, no canto das minhas palavras
Basta apenas entrar numa alma
que guardei, lá dentro
Na nudez da memória
Pena gavetas não terem memória.

Seguir em Frente

Tempo não se mistura
Não ouve, não voa
Tempo não releva, não desafia
É um jantar de minutos
Porém o que faz dele sobrevivente,
caminha de olhos para o céu
O que seria das horas,
se nossos pés não seguissem em frente?...