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quarta-feira, 10 de junho de 2015

O que nos mata na vida são as necessidades por obrigação, as formas exatas, os instantes que não vemos, um dia de sol não aproveitado. Nossa rotina se baseia no peso dos dias. Tem horas que a vida se torna tão concreta que nem um amor faz bem, mas há diferenças, o ser humano é incrível! Permanece sempre uma vontade de amar, caminhar num dia de sol, desfazer as formas e desobrigar as necessidades, porque no fundo o que queremos é viver sem ter a responsabilidade da vida.

Ter

Todo dia, temos meio dia
Meia tarde, meia noite
Todo dia, temos menos vontade
menos ideia, menos lembranças
Todo dia, temos menos certeza,
menos acertos, menos bobagens
Temos na vida, a vida segura, que de segura não há nada
Todo dia, temos menos céu, menos oxigênio, menos terra para pisar
Mas, contudo, não é exato isso tudo
Podemos, ao menos, todo dia ser isso tudo e inteiro
Pois podemos ser menos vida, porém, nunca, menos amor
Ao mesmo tempo que o homem escuta, ouve sua vida passar
Ele torna-se também passagem
Escuta quando passa, não apenas, sua passagem
Sábio aquele que ouve seu caminho, e confia em seus ouvidos ao pular de um abismo.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Felicidade é para Ser

Conte-me de palavra em palavra
o que já sentia
Toda frase que havia, logo após
um hiato de tempo se formava
caia-me sombras, as eternidades do mundo eram verdade
Meu mundo, tinha o que precisava ter
Olhos com que eu pudesse conversar
Mais nada era relevante
Ruiu-se às montanhas, fui encontrá-las
Caminho não se permitiu
Nem havia partido e eu já tinha chegado onde queria
Dentro da memória presente
Que é para ser o que há de ter
Caminho se constrói com estrelas.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Tempo que não Existe

Pouco tempo estive dentro de mim
Um tempo tão necessário, quanto 
a chuva; aquela passageira, que te carrega
Mas ainda estou dentro?
De qual corpo?
Não se sabe
Existem tempos na vida, que o nosso corpo
se torna o mesmo de quem se ama

Correnteza

Esqueço-me entre uma palavra e outra, que sou apenas água e sombra
Corrente de mar sem volta
Trago os sonhos que não recebi, e levo os que não existem, para existir.

Arrepender-se

Achei guardado na gaveta das horas
umas ternuras
Feitas de pó, e lembranças
Saltaram como se dançassem
de sapato velho
Pisaram descalças em meu coração
Minha metade, aquela que ama
Se disfarçou de abismo, para não
aguentar o peso das lembranças
Mais fácil era conter aquilo que um dia já falou, e hoje nem respira mais
Mas tenho em mim agora
algo que não cansa
tão sozinho, como nuvem negra
A desabar
Como esperança de bonança
Tenho a chave de uma gaveta
imunda, no canto das minhas palavras
Basta apenas entrar numa alma
que guardei, lá dentro
Na nudez da memória
Pena gavetas não terem memória.