segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sonho Meu


A irmã de meu amigo, era a prima
Prima de minha tia, tia que um dia se foi
Dela nasceu Maria, que hoje regressou
Maria é mulher da vida, mulher errante, sem papas, sem cheiro
Ela trouxe João, cunhado, e confidente
O amor não veio em sua bagagem, outrora ela jogara fora, junto a seus sapatos
Sapatos esses, já andados, já abertos como suas bocas
Em suas línguas, estavam o passado de onde vivera

Hoje todos moram, em uma vila pequenina
Uma vila de nuvens, onde os céus são pisados a todo instante
Nossas estrelas estão alí, nos penduramos entre elas
E o arco-íris, esse já não escorrega mais os sonhos
Muros altos, são erguidos aos montes
Não nos vemos. Somos vizinhos de nós mesmos.
E os anjinhos, debruçados, jogavam chuva sobre os olhos amados
A irmã de Maria, em outra vida, foste João, lhe chamou para dançar
Dançaram até raiar, até ouvir, até rasgar a névoa
E dos sapatos ausentes, perdidos, no horizonte viveste
Caminhando só, como um andarilho celeste.

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