sexta-feira, 27 de abril de 2012

Para Viver


Que o mundo se reflita e levite pensando em si
Todos... Sem excessão, sem assuntos, no que somos
Se não sabemos de onde viemos, pra onde iremos, por quem nós somos e estamos...
A cada dia somos algo, um sentimento, um alívio, um peso, uma solidão, um resto...
Devemos lidar, conforme a vida carteia para nós, decepções não bastam, basta uma fusão de corpos
De mentes, todos dentro de nós mesmos, pra sabermos como lidar em um mundo abstrato realista, como o nosso.
O que passou é passado, ja diz o vento, ele voou com a folha do pensamento, por mais que ela ainda seja escrita
Deixe a vida levá-la ao seu caminho outr'ora, agora viva seus passos, seu presente, seu rastro, você verá no futuro
Ele segue seu caminho... As pegadas são apagadas, com seus erros, quem os comete, não estará fadado à cometê-los novamente
Seja simples, seja arte, sem previsões, um acorde solto de solos diferentes, seja si mesmo
Deixe o pra sempre ao lado, correndo contigo, envolto ao uma capa de chuva, para não molhá-lo de lágrimas
Porque o sol virá, na abertura de seus sorrisos...
A vida é curta, a morte se faz presente a todo instante... Na casa, no mar, na lua, no amor
Principalmente no amor, que te mata mesmo estando vivo, de felicidade ou tristeza
Como já dizia o poeta " Tristeza não tem fim, felicidade sim".
Porém, lute contra tudo, solte os cabelos e prenda a respiração, pois só ofegante que sentirá o que é viver
O prazer de estar vivo, de saber que um abraço se faz de braços, um beijo se faz de laços e que a vida se faz de vida
Para nós mostrarmos a ela, que não temos nada, pois somos tudo, pro bem da vida
Seja amor, nos olhos de quem te ama
Pois se fossemos solidão
Nos olharíamos, sem nos ver
Porque no escuro, que sabemos quem nós somos.

Soneto ao Ar


O que suspiro, é so ao coração
Pra ele, sobrevivo, pra ele...
E pra ti, restou a solidão
Ir ao fundo, dos olhos dele
Sem ar, e profundo em lágrimas
Bastar, póros apenas, à respirar.

Amado


Sabes, o que te alcança?
E por pouco não lhe vi
Correndo, alçando vingança
Por pouco, não parí, minha própria morte
Um sossego, uma agonia, um resto...
Se fosse calmo, dizia a ela, não presto
Porém, és rude, na largura da alma
Não me canso, de ler as vidas
Em sua mão cálida, e meu rosto
Em sua face pálida, encosto
De almas...
Me entrego, a quem volta, quem me desafia
Quem não me alcança, e sofre sem rancor
Tem que se atirar, se armar, e não fujas do amor
Tem ser vivo, ter sangue no sangue
Abraçar o porvir, sabendo que irá partir
Sem tua ausência, meu coração, me nega
Me inflama, se mantém inerte sobre meus calos
E ele mudo, no final da noite
Lhe diz: Encontro, pois sou o final da vida.

Acabou


Alma, foste de mim
Saudade, foste da alma
Olhos, olhados pra mim
Sonhos, pensados em mim
Só tu, cortas o caminho
Foste o presente, a alma e o espinho
Foste o frio, ao rio, corrente do bem
Sem espadas, sou foice, do rastro da lua
Digo a ti, que não sabes da volta
Do retrato, nem a onde me deixou
E eterno, não digo quem tu amas
Porém, digo quem tu és.

Pobre Alegria


Se alegria não está lembrada
Eu sorrio pra lembrar
De uma vida repentina
Que eu insisti em me afastar
Eram ventos que assopravam
Para a alma não voltar
E tão pouca a minha vida
Que assombrada se fez vivida
E tão pouco, era sabida
Dos amores que deixei
Meus amores tão ausentes
Que nas bocas tropecei
O que tinha, era pó
Do laço repentino
Triste, virei nó
Que nem a pobre vida
Se preocupou em desatar
Da minha pele, tinha dó
Dó das veias, dos remorços
De minha própria teia
Dos que não tinham mais
Dava frio aos pobres
E lhe tomava o cobertor
Porque frio maior sentia eu
Sem alma, e tão vazio
Ao lado seu.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Restante

Não desejas o que não pertences
Seja ausente aos olhos alheios
Pois presente ao coração, se torna pra sempre...
Volta, porque te tornas cativo, a alma que partiste
E saudade que chora, pela volta do corpo, não desiste...
Seja a verdade não dita, tenha a palavra nos olhos
Ela dirá o caminho, se quereres mesmo que ele torne a voltar
Que o vácuo de loucura, seja breve, presente só aos momentos sóbrios
Porque sóbrio, ao coração não pulsa, não alteia, só mazela o peito
So semeia solidão...
Na morte vazia, quem acompanha a vivência e alma que pertence
Vive eternamente, procurando um resto de lágrima derramada
Em um livro, sobre as palavras de uma página pretérita
Para que ela, lágrima, transponha a palavra, e chegue à próxima folha radiante
Encontrando um amor, depois da vírgula e antes do ponto final da vida.