Páginas

terça-feira, 26 de abril de 2011

Adeus

Essa vida que se afoga
Que se alastra por seus caminhos
É arredia, é arisca, é sobra de vida
Pois só a caminha, quem já foi caminhado

Despeço-me das dores, pois elas já não valem mais apena
Despeço-me do beijo, porque ele não está mais entre nós
Despeço-me da carne, já que essa se solidificou
Despeço-me do chão , pois este ja se sucumbiu

A nuvem que abre em um céu noturno
É mágica e pura forma do coração
Numa escuridão de rancor
Abrindo-se numa imensidão

E assim termino minhas despedidas...
Despeço-me do ventre, pois este já está sujo como o dia
Despeço-me da luz, já que essa só apaga minha alma
Despeço-me da morte, porque até ela já morreu
Despeço-me do coração, já que este não bate mais dentro do peito

terça-feira, 19 de abril de 2011

Aos cantos e a caminhos

Pela a rua em que me desço, vejo perto o horizonte
Caminha pela a fonte, abraça forte as trovas que vinham dizer o porquê de ter vindo
Viveria calmo pela cruz que protegia
Se banhava todo dia, sim, pois não constante aquele verso se fazia
Aborrecia aqueles tolos, bobos, adormecia...

As pazes dos sentidos acontecia
Acreditava que as pessoas eram como flores em um jardim
Murchavam, para depois de um cair d'água abroxavam
Sumia como o vento, aparecia como a dor
Era vivo, sem valor...

De onde era aquela lágrima que tornava a chorar a cada palavra
Um vulto de lucidez, uma cálida manhã de outono, nos traziam respostas
O turno continuava! Belo, voráz e perspicaz, ainda por cima!
Sofria toda a noite com a sua beleza arredia

Bridavam mortes de paixões, era triste, porém consciente de sua tristeza
Eram caminhos a serem cruzados, eram cantos a serem amados
Era da alma que a força era ouvida
Eram dos olhos que o amor era sentido

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Carência

Tanto me faz bem, aquele amar
Aquele olhar distante, sem fronteira
Sem barreira, sem limites.. O luar
Aquela brisa que passa derradeira

A esperança do futuro mais belo
Da beleza completa e das mãos unidas
Do oceano inundado de mar em uma noite que espero
De sombras iguais e almas fundidas

Tanto me faz a falta do som ao ouvido
Da lágrima alheia junto aos meus olhos
Daquele horizonte sumindo
Das palmas unidas e os dedos em laços

Ah... faz falta um sorriso bem verdadeiro
Uma alma completando meus anseios
Tanta falta de um calor que abala até os poros
Tanta falta faz "eu te amo" ao invés de um "até logo"

Espero, porque a vida é esperar
De nada vale um coração vazio
Porque a solidão é o mal da alma
É como um vento sem arrepio

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Constatação

Passo a passo, de cada pedaço.
Vejo o medo atrás da porta, e o que faço?
Como ando? Como vejo? Será que é lúdico e lúcido?
Distante da paciência de um abraço, bebemos o que fazemos do dia.
Torrencial, segue o raio da beleza viva.
Aquela que acolhe os inimigos do riso, os sem vontade de amar.
Amar-lhe-ei sempre... E as pálpebras? Por que o sonho torna a voltar?
Dos que correm atrás do vento, sem consentimento da estrela e no momento só, é a luz!
Aquela que ilumina a rua, os santos, as cruzes, os cantos... E de nada valeu apena o suor!
Pois a corrente é continua, o vinho ainda é bebido a cada refeição ou não?
Somos feitos de mel e areia, pois somos doce iguais a ele e leves iguais a ela...
Somos vivos, perdidos aqui. Naquilo que dizemos ser o lar. Um mal lar ou simples como uma alma vagante.
E nado nesse mar de almas, de vidas a esmo, de luxúria errante e num berço constante de versos...
Belo, seria a água ardente, o fogo frio, o nada em borbotões e a multidão inóspita!
Que a sombra renasça do chão e ilumine os amores vivos e não deixe frio, aqueles que não sabem ainda amar.
E as flores, quem as desenhou?...
Eu? Não, eu não! Eu apenas as pinto, conforme a minha felicidade!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A Sombra do Vento

Era tarde.... A folha descia pelo orvalho
A solidão do relento, era vil
A noite se desenhava em retalho
Perto de mim, nada... Apenas a sombra, leve e sutil

E a noite caía no meu colo
Eu caminhava pelo vento e ouvia pensamento
A lua amava e eu a ninava
Depois do amor, só o encantamento

O verso sobrou e a noite caminhava ao amanhecer
Mas antes disso, o beijo virá
Pelos os dois de mãos dadas, a sombra desmentirá
O recanto dos ombros acolherá

Que a sombra os recolha
O verso ainda é verso
A noite que nos voa
O vento que nos fale
E o beijo que nos mate

terça-feira, 1 de março de 2011

Elas

A Mulher.... Nada mais real, mais lúcido, mais cândido...
A Mulher é a criação dos seres em exponencial, a forma sã do pensamento.
Pois, agradá-la não basta se fazer homem e sim ser homem.
Dizem que a beleza do sexo frágil é ser frágil, todavia o frágil se tornou subliminar nos dias de hoje!
Tão subliminar e cada vez mais sublime!
Viver a Mulher não é fácil. É uma batalha a cada dia, a cada lágrima, um mundo outonal e diferente.
Se fazer Mulher, é claro, além de tudo uma honra para nós homens tê-las ao redor do nosso infinito.
Que por mais machista, sempre tem sua feminilidade.
Uma Mulher, um amor, um beijo, uma solidão.
Todos nós percorremos suas correntes e desembocamos em suas mãos. Plenas mãos!
Viva a Mulher presente, a Mulher infâme, a devaneia... Trate-as como a lua, aberta no horizonte...
Mulher de dia ou de noite, sempre parceira, sempre lúcida louca, sempre Mulher!
E por que o maiúsculo em "Mulher"? Porque Mulher é Mulher! Não é apenas um substantivo e sim um significado.
Basta qualquer adjetivo, basta ser Mulher!

Reflexo do Íntimo

Andanças, bailes, choros, sonhos... A rigor, uma vida cheia de graça!
Qual a graça? A graça, de ter uma vida!
Dizemos que todos sonhamos, mas o sonho somos nós, é a materialização do surreal.
Bebemos as águas e soltamos mazélas em formas de palavras.
Quem diria! Pessoas vivas e vivendo num vácuo mental.
De obras não feitas, de passados mal acabados, de presentes obscuros e com um futuro bem visto.
Mas continuamos, sendo carregados para um lugar límpido como o céu ou podre como a terra.
Nos pregam peças e nós pregamos mais peças ainda. Como uma lágrima mal escorrida ou um "eu te amo" banal.
Ventos passam... Agente fica na memória da existência e só! Apenas só, porque tudo é só, nada são ambos...
Destinos cruzam, a mente é aberta e o fim é próximo!
Vem vida! Vem ver o presente que vou lher dar!
Uma rosa para te agradar e um guarda-chuva pra não se molhar!