segunda-feira, 25 de junho de 2012

A Pequena Menina Azul


A Pequena Menina Azul

"E nem que o tempo passasse, ela voaria para a eternidade..."

Caminha, rélva branca, caminha
Atrás do sonho, assim, caminha
E seus sonhos... Eram um arco-íris em lua
Que nasciam acordados, e dançavam dormindo
Parecia, lembrança
Parecia que tinha vida
Era uma sombra cadente
Que caia em estrelinhas, sobre sua mão
Seu coração, era uma pipa, de seus olhos encantados
Sentia, tudo o que via, perfume de mulher
Pois não, ainda era uma criança
Virgem, seus pêlos nasciam sob orvalho da alma
Conforme ela seguia seus passos, seu passado abria os laços
Sua cama, uma nuvem flutuante
Que afagava solidão:
"Era triste, menina"
" Era triste"
"Era"
Dizia o vento...
Solidão de pedra! Que se jogava no abismo para contemplar alguém com sua dor
Porém, seu sorriso era inerte em sua boca vermelho amor
Sua noite, límpida como imensidão...
No horizonte se aquietou, lembrou do distante
Ficou perante ao coração.

Dormiu


Em breve, estará contigo, o avesso de ser
Repentino, de leve e adiante
Veria o amor tão perto, porém distante
Alí, na minha frente, com outro amor, iminente
Serei eu, e não digo que sejas amor para sempre
Ou um caso qualquer, seja apenas contente no ato de ser amor
De pertencer à alguem por um instante
De dizer que foi e será amado lentamente, no caso de já estar sendo amado
E perder um pouco o que há em si, o orgulho ou perdão
E viver em prol da felicidade, sem nem lembrar aonde deixou o coração
Bater palmas para sua coragem, de erguer os olhos pro alto e sentir a chuva aquecer, ao invés de esfriar
E seus pés juntos, diz não a morte, e sim, a vida que escorrega por seu corpo, indo a um lugar cativo,
inerte, porém bem mais quente que a liberdade
De repente coçar os olhos e acordar, sentir o vento passar, ver o sonho ir pela porta da frente
E sair pelos fundos, cair no chão e dormir eternamente.

Entre Nós


Nas nuvens, que os anjos cairiam
Em sono.... Confusos, regando os sonhos
Dos anjos da vida
Em lágrimas, descia pela bruna
Veria, pela a manhã, todo suor da lua, pela rélva
Subindo e indo, ao contrário do tempo....
Nas montanhas, se viam as pernas
Do amanhacer
Faziam rastros, poente, da noite
As estrelas, coitadinhas
Ruborizadas, se escondiam no canto do céu
Com medo da escuridão
Por mais que se enxerguem, no berço do breu
Volta a noite, o passado fica, no futuro que pensamos
Mas entre nós dois, o que importa é o agora
Porque meu violão não tem asas
Mas suas cordas sãos minhas brasas, eternas...
E minha asas que foram feitas para voar, minhas raízes para ficar e meu momento para estar
Se tornam tão breves, quanto o orvalho inerte da alma.

A Cachoeira


Era alma que estapeia
Molha, refugia, me semeia
Tão vaga, vagante do presente, nômade dos destinos
Carregas em suas costas, o pesar da natureza
Em sua face triste, aos olhos da beleza
Serpenteia e foges triste, na sombra da floresta
Me dizia: é o que resta, é o que caminha
Tão singela e arredia
Um véu de noiva, olha para o céu
E chora lágrimas de prata, agasalhando toda a mata
Que seus bichos encantados, acalados em riste
Olham em admirável soberba, e felizes
À morte viva, de uma gota tão distante
Que não volta nunca mais.

Poesia Amiga


... E de repente voltou, como em algum dia outrora
A poesia, é a volta das pessoas que não foram
Viver, é a arte de correr para o vento, sem direção
Sentir o assopro do contentamento, que já passou
Nosso destino caminha ao lado, em conjunto conosco
Comigo, consigo... Nossos passos são eternos
Nossos rastros, meus amigos
Meus amigos, meus amores
Meus amores, minha alma
Encontrar uma parte de si perdida em alguém, é a beleza da vida
É para isso que somos o que sentimos
Sobrevivamos a nós mesmos!
As diferenças, as realidades, as semelhanças
Não encontramos um amigo na pureza
E sim, nos calos das mãos
Que juntas se abraçam e unem olhos iguais
Reconhecendo amigos, que se viram por um dia
Como a lua, que muda de rosto, de sombra, de lua...
Mas não muda de alma.

Homem de Barro


Viam-se a luz, no dorso da lua
Nascia, brilhante, o ventre da alma
Celeste, reluzia nas mãos, a carne
Negra, voraz, em ambar... Eterna
Dizia: sou feito a poeira, carrego comigo o resto dos homens
Me moldo das lágrimas, sou o que sobrou dos anjos
Não me vejo, sou o próprio espelho da consolação
Me visto de cravo, para enganar rosa
Sou a nuvem dos astros, me deito sem lugar onde cair
Me encontro na roda viva
Danço em pétalas, sou a pétala da solidão
Sou de novo, o homem que se foi
Mas fico aqui, é só casca, vestindo seu peito de emoção
E na canção, me faço, resnaço
Sou apenas sentimento, dentro do seu coração.