quarta-feira, 11 de julho de 2012

Mais que Alegria


Sabes o que eu tinha, onde nascer...
Diga sobre o impossivel, que seja possivel
Que seja infinito, e inatingível.
Que ontem seja aquilo distante
Que sem nada, que seja aquilo que desejas contigo
E das lembranças, sem poesias
Das felicidades, dos encantados de maneiras tão simples
Da ardência no peito, no sorriso da lua em cicatriz do coração
Que seja perpétuo, um amor verdadeiro
Por mais que já não estejas conosco, que sejas feliz
E sorria diante às nuvens vadias, que sejas tão pobre, que de pobre sejas o salto da vida.
Quem me dera ir-me ao um vazio firme
Ir-me a um amor instante
Um amor estático, amado e falado em amor
Ir-me sem vestidos, com sorrisos
Ir-me livre a liberdade
Ir-me de encontro a alma, ir-me a voar sem asas
Ir-me de vez em quando, para solidão
Ir-me tão fraco, que na boca só restas sombras
Ir-me aos perfumes, as luzes e luzir o nunca mais
Para que o futuro seja plantado
Nos pés da alegria em ver-te
Seu sorriso até morrer-te
E da ternura que é ver-te
À felicidade se espantar, quando se lembrar o que é ter-te

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Vinicius


A fascinação, de um homem vulto
Que acompanha a adoração a carne
E nas pontas dos dedos, exibe sua graça
A hora sonada, dos tempos fartos
Do whisky regado e salgado à poesia
Da bebida corrente, nas veias orquestrais
Existe Vinicius, existe...
Do cavalo alado, sem rastro, sem correntezas
Do verbo vadiado, o menestrel das meninas
Dos olhos caídos, da voz rasteira, da palavra exata
Fala Vinicius, fala...
Dos olhares roucos, sua pálpebra se alinha nas curvas de Ipanema
Nos recantos das areias, nas volúpias repentinas
Dos amores eternos, ardidos, do sol da meia noite
Chora Vinicius, chora...
Deixando à todos, suas almas a deriva
A um mar soturno, de cálida palidez
De um poeta escuro, de alma e pele falante
Do brasileiro nato, armado nas costas de Xangô
Abraçando a todos, redentor
Tu és nosso silêncio, nosso haver, nossa insensatez
És parte humana da voz dos anjos
És a música errante do coração amado
Tu és garoto e valsa eterna da vertigem
És a maior inspiração do leitor de alegoria
E o leito d'alma do escritor dos sonhos.

terça-feira, 3 de julho de 2012

O Pertence


Ainda a vida nos pólos dos olhos
Nas certezas de saber amar
Ainda a rastros nos solos, nos mares
Ainda a cérebros nos bêbados
E hálitos nas sombras
Ainda existe sofrimento, nos âmagos
E sem sofrimento não basta, os amados
E o carinho calmo, o afago inerte da consolação
É pontual, como a hora da aurora
Somos a catedral dos sonhos, perdidas, pelos ventos
Somos insensatez do ato, a ansiedade dos fatos
Ainda a resto nos ralos e pobreza na alma
Ainda somos vagos, na imensidão das cores
Ainda não somos cores, ainda não somos nada
Somos os ares profundos, de beleza afável
De língua vulgar, de pele soberba
Ainda a diálogos nos sentimentos
Possamos ver na arte, o que restou do firmamento
Ainda a pétalas a desbotar
Mal-me-quer a fazer, a roubar, e rosas a luzir
Ainda existem sonhos, não realizados
O saber indescritível do amanhã
A solidão coesa da hora do sono
Ainda a vácuo no coração, pedindo perdão
Ainda a vontade de ser o outro, de amar o próximo ou o distante
De ser coerente a si mesmo, porém sem pensamento
Ainda a esperança, na indecifrável morte de nascer contente
Da complacência materna, da atitude voraz da raça
A inutilidade das mãos, onde existem abraços mais ternos
Ainda existem praias desertas, nos seus braços abertos
Permanece indecifrável o caminho do perdão
Permanece notável, a idéia da madrugada
Permanece o medo, de uma noite sem amada
Permanece a amada, com medo eterno dos olhos da madrugada
Ainda existem amadas para serem descobertas
Vertigens para serem admiradas
Ainda persistem as loucuras, os vendavais, as vacâncias
A ilusão dos astros, as mãos sem dono
Ainda vaga, o barco da verdade
Ainda rasga véu, no altar da santidade
Nada é para sempre, nada nos pertence
Ainda existe pó, no tapete que lhe assola
Ainda existe eu, na alma que te encobre.